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Agricultura

ARTIGO: Dia Nacional da Conservação do solo: um agradecimento aos nossos pedólogos
Angelo Mansur Mendes*

Existem três datas para comemorar o dia do solo que são: 15 de abril (Dia Nacional da Conservação do Solo); 22 de abril (Dia Internacional da Mãe Terra) e 5 de dezembro (Dia Mundial do solo). Embora com foco diferenciado, todas elas permitem uma reflexão sobre como estamos tratando o solo.

O Dia Internacional do Solo foi estabelecido durante o 27 0 Congresso Mundial de Ciência do Solo, em Bangkog, Tailândia, em agosto de 2002, pela Sociedade Internacional de Ciência do Solo (IUSS). Foi decretado o dia de 5 de dezembro como homenagem ao Rei da Tailândia, Majestade Real Bhumibol Adulyadej, em função de sua dedicação em promover a ciência do solo, enfatizando a conservação do solo como uma questão ambiental sustentável.

A outra data, o Dia Internacional da Mãe Terra, foi iniciada nos Estados Unidados da América pelo Senador Gaylord Nelson, e depois extendida para quase todos os países do nosso Planeta. O objetivo principal desse dia é conscientizar a todos os habitantes do Planeta Terra sobre a necessidade da preservação e conservação dos recursos naturais.

E no dia 15 de abril comemoramos o Dia Nacional da Conservação do Solo, conforme a promulgação da Lei Federal n. 7.876, de 13/11/1989. A escolha dessa data foi em homenagem ao Dr. Hugh Hammond Bennett, o pai da conservação do solo nos Estados Unidados. Esse dia propõe uma reflexão sobre a conservação dos solos e a necessidade da utilização adequada desse recurso natural.

Quem foi esse Pai da Conservação do Solo? Dr. Hugh Bennett nasceu no dia 15 de abril de 1881, no Estado da Carolina do Norte onde aprendeu com seu pai a importância da conservação do solo no cultivo de algodão. Em 1903 formou-se na Universidade da Carolina do Norte, onde se especializou em geologia e química, nesse mesmo ano ingressou no Departamento de Solos da USDA (United States Department of Agriculture). O seu primeiro trabalho foi mapear e classificar os solos de Davidson County, no Estado de Tennesse.

Durante trabalho de campo no Lauderdale County, Estado de Mississipi, em 1909, e com a parceria entre Mississipi Geological Survey e USDA, identificaram a “fase da erosão”. E em 1928 recebeu o reconhecimento técnico e público, provavelmente devido às cheias do Rio Mississipi, em 1927, onde houve perdas de vidas e bens da nação jamais vistas antes. A publicação do Dr. Hugh Bennet e colaboradores enfatizava os danos causados pela erosão e destacava à necessidade de ações de conservação do solo.

A reflexão sobre o dia Nacional de Conservação do Solo provém do homenagiado, Dr. Hugh Bennett, que trata sobre a necessidade de conhecer o solo. Como manejar adequadamente, sem conhecer o solo? Dr. Hugh somente conseguiu definir as fases da erosão após identificar os tipos de solo que ocorriam no Lauderdale. Nesse estudo, foi possivel entender a dinâmica dos fatores de formação dos solos (rocha, relevo, clima, tempo e seres vivos). Portanto, não se pode falar em conservação do solo sem considerar a ocorrência dos tipos de solo.

A base da ciência do solo é a Pedologia, que representa a ciência que estuda a formação, a morfologia e a classificação dos solos, considerados como componentes da paisagem, assim definiram Nyle Brady e Ray Weil, em 2010. É importante relembrar o mestre Dr. Doracy Pessoa Ramosque, que sempre enfatizou a necessidade da Pedologia em nosso país, não se resumindo ao manejo e conservação do solo e da água, mas também ao planejamento do uso da terras para diversas finalidades, como assentamento rural, projeto de irrigação, manejo de bacia hidrográfica e outros fins não agrícolas.

Precisamos conhecer os nossos solos e a Pedologia, uma ciência que compõe as Geociências, que estuda os solos considerando a sua origem (gênese), sua morfologia (descrição) e sua classificação (classes de solo), sempre associadas à geologia (rocha), geomorfologia (relevo) e vegetação que, indiretamente, permitem indicar as condições climáticas. Essa ciência iniciou em 1877, através dos trabalhos do naturalista russo Vasilli Dokouchaier, e no Brasil teve seu inicio em 1887 com a criação da Estação Agronômica (atualmente, Instituto Agronômico de Campinas- IAC), por meio do Dr. Dafert. Embora a Comissão de Solos tenha sido criada em 1947, atualmente, ela é denominada Centro Nacional de Pesquisa de Solos, popularmente conhecido como Embrapa Solos.

Aproveito o Dia Nacional da Conservação do Solo para homenagear a todos os pedólogos de ontem e hoje, através dos saudosos: Dr. Waldemar Mendes (responsável da Comissão de Solos durante 1947 a 1967), Dr. Jacob Bennema e Dr. Luiz Bramão (consultores da FAO), entre outros, como os pesquisadores franceses do Instituto Francês de Pesquisa Científica para o Desenvolvimento em Cooperação (ORSTOM), atualmente designado Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD); os das instituições públicas como CPRM, EMBRAPA, IBGE, IAC, INPA, Museu Emilio Goeldi, e das Universidades (USP, UFV, UFRRJ, UFRGS, UFRPE, UFLA, UNB, UNESP, UFBA, UFMG, UFPR, UFSC, UFMT, UFGD, UFG, UFAM, entre outras), que contribuiram e continuam contribuindo para formar a base da ciência do solo e, assim, permitir a avaliação da aptidão agrícola, auxiliar o manejo e as práticas conservacionistas adequadas para a sustentabilidade dos nossos solos.

O slogan utlizado no Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, janeiro-fevereiro de 1992 continua valendo mais do que nunca: “O solo garante a vida no planeta. Conservá-lo é preservar a vida”. Entretanto, o solo está escapando por entre nossos dedos, indo para os rios e oceanos. O relatório da Food and Agriculture Organization (FAO), indica que 25% dos solos do nosso Planeta estão degradados.

E ainda, outra triste notícia, o cancelamento da Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água (RBMCSA), diante da ausência de instituições e/ou Universidades para realizá-lo. Por isso, faço minha as palavras da presidência e da secretaria executiva da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, “Esperamos que desse sentimento de frustação brote a motivação para a retomada da RBMCSA em 2016”. Esse evento é fundamental para todos que estão interessado pela sustentabilidade da agricultura e segurança alimentar.

Esse cancelamento me lembra uma “estória” que pode transformar em uma história, contada pelo Dr. Ademir Calegari, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) numa de suas palestras da qual foi uma adaptação do livro “Só Vendo Para Crer” de John Guaspari. A estória sobre 4 pessoas chamadas: Todo Mundo, Alguém, Qualquer Um e Ninguém.

“O sucesso do manejo e conservação do solo e da água é uma tarefa importante a ser feita. Tudo Mundo está certo de que Alguém fará ou que Qualquer Um poderá até fazer, mas Ninguém não se importa com isso porque essa é uma tarefa de Todo Mundo. Aí Todo Mundo pensa que Qualquer Um pode fazê-lo, mas Ninguém percebe que Todo Mundo não o está fazendo. No fim, se vier o fracaso, Todo Mundo culpará, Todo Mundo Alguém porque Ninguém fez o que Qualquer Um poderia ter feito”.

-- * Engenheiro Agronômo, mestre em Ciências do Solo e pesquisador da Embrapa Rondônia.
E-mail: angelo.mansur@embrapa.br

Texto: Renata Silva
Fotos: Kadijah Suleiman

Fonte: Embrapa Ro

19/04/2014

ARTIGO: Dia Nacional da Conservação do solo: um agradecimento aos nossos pedólogos
Angelo Mansur Mendes*

Existem três datas para comemorar o dia do solo que são: 15 de abril (Dia Nacional da Conservação do Solo); 22 de abril (Dia Internacional da Mãe Terra) e 5 de dezembro (Dia Mundial do solo). Embora com foco diferenciado, todas elas permitem uma reflexão sobre como estamos tratando o solo.

O Dia Internacional do Solo foi estabelecido durante o 27 0 Congresso Mundial de Ciência do Solo, em Bangkog, Tailândia, em agosto de 2002, pela Sociedade Internacional de Ciência do Solo (IUSS). Foi decretado o dia de 5 de dezembro como homenagem ao Rei da Tailândia, Majestade Real Bhumibol Adulyadej, em função de sua dedicação em promover a ciência do solo, enfatizando a conservação do solo como uma questão ambiental sustentável.

A outra data, o Dia Internacional da Mãe Terra, foi iniciada nos Estados Unidados da América pelo Senador Gaylord Nelson, e depois extendida para quase todos os países do nosso Planeta. O objetivo principal desse dia é conscientizar a todos os habitantes do Planeta Terra sobre a necessidade da preservação e conservação dos recursos naturais.

E no dia 15 de abril comemoramos o Dia Nacional da Conservação do Solo, conforme a promulgação da Lei Federal n. 7.876, de 13/11/1989. A escolha dessa data foi em homenagem ao Dr. Hugh Hammond Bennett, o pai da conservação do solo nos Estados Unidados. Esse dia propõe uma reflexão sobre a conservação dos solos e a necessidade da utilização adequada desse recurso natural.

Quem foi esse Pai da Conservação do Solo? Dr. Hugh Bennett nasceu no dia 15 de abril de 1881, no Estado da Carolina do Norte onde aprendeu com seu pai a importância da conservação do solo no cultivo de algodão. Em 1903 formou-se na Universidade da Carolina do Norte, onde se especializou em geologia e química, nesse mesmo ano ingressou no Departamento de Solos da USDA (United States Department of Agriculture). O seu primeiro trabalho foi mapear e classificar os solos de Davidson County, no Estado de Tennesse.

Durante trabalho de campo no Lauderdale County, Estado de Mississipi, em 1909, e com a parceria entre Mississipi Geological Survey e USDA, identificaram a “fase da erosão”. E em 1928 recebeu o reconhecimento técnico e público, provavelmente devido às cheias do Rio Mississipi, em 1927, onde houve perdas de vidas e bens da nação jamais vistas antes. A publicação do Dr. Hugh Bennet e colaboradores enfatizava os danos causados pela erosão e destacava à necessidade de ações de conservação do solo.

A reflexão sobre o dia Nacional de Conservação do Solo provém do homenagiado, Dr. Hugh Bennett, que trata sobre a necessidade de conhecer o solo. Como manejar adequadamente, sem conhecer o solo? Dr. Hugh somente conseguiu definir as fases da erosão após identificar os tipos de solo que ocorriam no Lauderdale. Nesse estudo, foi possivel entender a dinâmica dos fatores de formação dos solos (rocha, relevo, clima, tempo e seres vivos). Portanto, não se pode falar em conservação do solo sem considerar a ocorrência dos tipos de solo.

A base da ciência do solo é a Pedologia, que representa a ciência que estuda a formação, a morfologia e a classificação dos solos, considerados como componentes da paisagem, assim definiram Nyle Brady e Ray Weil, em 2010. É importante relembrar o mestre Dr. Doracy Pessoa Ramosque, que sempre enfatizou a necessidade da Pedologia em nosso país, não se resumindo ao manejo e conservação do solo e da água, mas também ao planejamento do uso da terras para diversas finalidades, como assentamento rural, projeto de irrigação, manejo de bacia hidrográfica e outros fins não agrícolas.

Precisamos conhecer os nossos solos e a Pedologia, uma ciência que compõe as Geociências, que estuda os solos considerando a sua origem (gênese), sua morfologia (descrição) e sua classificação (classes de solo), sempre associadas à geologia (rocha), geomorfologia (relevo) e vegetação que, indiretamente, permitem indicar as condições climáticas. Essa ciência iniciou em 1877, através dos trabalhos do naturalista russo Vasilli Dokouchaier, e no Brasil teve seu inicio em 1887 com a criação da Estação Agronômica (atualmente, Instituto Agronômico de Campinas- IAC), por meio do Dr. Dafert. Embora a Comissão de Solos tenha sido criada em 1947, atualmente, ela é denominada Centro Nacional de Pesquisa de Solos, popularmente conhecido como Embrapa Solos.

Aproveito o Dia Nacional da Conservação do Solo para homenagear a todos os pedólogos de ontem e hoje, através dos saudosos: Dr. Waldemar Mendes (responsável da Comissão de Solos durante 1947 a 1967), Dr. Jacob Bennema e Dr. Luiz Bramão (consultores da FAO), entre outros, como os pesquisadores franceses do Instituto Francês de Pesquisa Científica para o Desenvolvimento em Cooperação (ORSTOM), atualmente designado Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD); os das instituições públicas como CPRM, EMBRAPA, IBGE, IAC, INPA, Museu Emilio Goeldi, e das Universidades (USP, UFV, UFRRJ, UFRGS, UFRPE, UFLA, UNB, UNESP, UFBA, UFMG, UFPR, UFSC, UFMT, UFGD, UFG, UFAM, entre outras), que contribuiram e continuam contribuindo para formar a base da ciência do solo e, assim, permitir a avaliação da aptidão agrícola, auxiliar o manejo e as práticas conservacionistas adequadas para a sustentabilidade dos nossos solos.

O slogan utlizado no Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, janeiro-fevereiro de 1992 continua valendo mais do que nunca: “O solo garante a vida no planeta. Conservá-lo é preservar a vida”. Entretanto, o solo está escapando por entre nossos dedos, indo para os rios e oceanos. O relatório da Food and Agriculture Organization (FAO), indica que 25% dos solos do nosso Planeta estão degradados.

E ainda, outra triste notícia, o cancelamento da Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água (RBMCSA), diante da ausência de instituições e/ou Universidades para realizá-lo. Por isso, faço minha as palavras da presidência e da secretaria executiva da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, “Esperamos que desse sentimento de frustação brote a motivação para a retomada da RBMCSA em 2016”. Esse evento é fundamental para todos que estão interessado pela sustentabilidade da agricultura e segurança alimentar.

Esse cancelamento me lembra uma “estória” que pode transformar em uma história, contada pelo Dr. Ademir Calegari, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) numa de suas palestras da qual foi uma adaptação do livro “Só Vendo Para Crer” de John Guaspari. A estória sobre 4 pessoas chamadas: Todo Mundo, Alguém, Qualquer Um e Ninguém.

“O sucesso do manejo e conservação do solo e da água é uma tarefa importante a ser feita. Tudo Mundo está certo de que Alguém fará ou que Qualquer Um poderá até fazer, mas Ninguém não se importa com isso porque essa é uma tarefa de Todo Mundo. Aí Todo Mundo pensa que Qualquer Um pode fazê-lo, mas Ninguém percebe que Todo Mundo não o está fazendo. No fim, se vier o fracaso, Todo Mundo culpará, Todo Mundo Alguém porque Ninguém fez o que Qualquer Um poderia ter feito”.

-- * Engenheiro Agronômo, mestre em Ciências do Solo e pesquisador da Embrapa Rondônia.
E-mail: angelo.mansur@embrapa.br

Texto: Renata Silva
Fotos: Kadijah Suleiman