Padronização sanitária impulsiona exportação brasileira de bovinos vivos, que ultrapassa 1 milhão de animais por ano
A implementação de protocolos sanitários mais rigorosos reduziu em 50% as perdas relacionadas à saúde animal e aumentou a eficiência da atividade
A exportação de bovinos vivos, também conhecida como “boi em pé”, bateu recorde no Brasil em 2025, com cerca de 1,07 milhão de cabeças embarcadas, alta de 5,53% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira dos Exportadores de Animais Vivos (Abreav). O crescimento da atividade ampliou a demanda por uma padronização de protocolos sanitários e operacionais voltados à eficiência e ao bem-estar animal.
No último ano, as exportações brasileiras de bovinos vivos ultrapassaram US$ 1 bilhão em faturamento, avanço de 26,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da Scot Consultoria elaborados com base na Comex. Os principais compradores do gado em pé brasileiro estão no norte da África e no Oriente Médio, com destaque para Turquia e Egito.
Atender a esse volume exige a concentração de animais de diferentes propriedades e regiões em fazendas de pré-embarque antes das viagens. Esse processo aumenta significativamente o desafio imunológico dos rebanhos, tornando o manejo sanitário uma etapa decisiva para o sucesso econômico da operação e para a manutenção da imagem do Brasil no exterior.
A operação total pode levar entre 60 e 80 dias, desde a contratação até a entrega dos animais no destino, exigindo protocolos rígidos de manejo, alimentação, logística e controle sanitário.
“A nossa imagem como exportador vai transparecer quando os animais chegam no destino. Se os procedimentos não são adequados previamente, esses animais têm uma tendência muito maior a ficarem doentes no trajeto. Querer economizar na recepção traz um impacto negativo enorme para a produção”, alerta o presidente da Abreav, Ricardo Barbosa.
Padronização de protocolos sanitários
Para mitigar esses riscos e assegurar a qualidade exigida pelos compradores internacionais, o setor avançou na padronização dos protocolos sanitários dos animais. Cerca de 85% do gado vivo exportado pelo Brasil passa atualmente pelo protocolo sanitário da Biogénesis Bagó, consolidado após um trabalho conjunto com a Abreav para a atualização de normativas e procedimentos operacionais padrão (POPs).
A estratégia reduziu em 50% as perdas operacionais relacionadas à saúde animal e fortaleceu a competitividade brasileira diante de mercados internacionais cada vez mais rigorosos.
O setor opera sob protocolos específicos definidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com fiscalização presencial em 100% das operações de embarque, rastreabilidade individual dos animais e exigências de contingência logística e sanitária.
“O nosso trabalho apoia-se em três pilares estratégicos: o primeiro é cumprir com rigor as exigências internacionais para doenças específicas de cada destino; o segundo é adaptar a prevenção para a realidade e as enfermidades do território brasileiro; e o terceiro, que consideramos vital, é potencializar a recuperação desses animais após o transporte até os locais de embarque, garantindo que o rebanho recupere o estresse de forma rápida”, explica o gerente Nacional de Demanda da Biogénesis Bagó, Bruno Di Rienzo.
Resultados operacionais e bem-estar no trajeto
A aplicação de um pacote sanitário dimensionado para situações de alto desafio, incluindo endectocidas, antibióticos, complexos vitamínicos e vacinas, transformou a viabilidade da exportação. O ajuste das formulações e a praticidade de aplicação contribuíram para melhorar o desempenho dos animais durante as viagens marítimas, reduzindo a perda de peso no trajeto.
“O resultado econômico do negócio depende, antes de tudo, da eficiência dos animais. Com o apoio técnico para cruzar princípios ativos, chegamos ao protocolo ideal. Hoje, se cruzarmos os dados atuais com os do início da nossa operação na categoria F1, a queda na mortalidade é de 50%. O retorno financeiro desse cuidado imunológico é muito rápido”, avalia Barbosa.
A padronização dos protocolos sanitários fortalece a posição do Brasil diante dos concorrentes globais. O setor desenvolve produtos voltados à realidade do manejo em larga escala das fazendas brasileiras e a estratégia atende e supera as exigências sanitárias de mercados rigorosos, como os próprios líderes de compra Egito e Turquia.
O avanço da atividade também impulsiona a ampliação da infraestrutura logística, com novos portos habilitados para operações de exportação, como Rio de Janeiro (RJ), Natal (RN), São Luís (MA) e Ilhéus (BA).
“Nós vamos além da lista de exigências dos países importadores, o que gera muita confiança. O mercado brasileiro tem volume e uma diversidade racial imensa. Garantir que esses animais viajem com o máximo de conforto, oferta nutricional e suporte imunológico é o que vai nos dar longevidade como um dos principais fornecedores do mundo nesse setor”, salienta di Rienzo.
Sobre a Biogénesis Bagó
A Biogénesis Bagó é uma empresa líder global em biotecnologia voltada à saúde, produtividade e bem-estar animal. Desenvolve, produz e comercializa soluções de alta qualidade para proteção do status sanitário dos países, desempenhando papel fundamental na prevenção de zoonoses e na segurança da produção alimentar.
A companhia é referência na prevenção e controle da febre aftosa e está entre os principais produtores da vacina antirrábica canina e felina, sendo capaz de responder de forma imediata a emergências sanitárias em qualquer parte do mundo.
