Produção responsável amplia espaço da soja brasileira no comércio global
Certificação RTRS, rastreabilidade e transparência consolidam o país como fornecedor estratégico para os mercados mais exigentes
Em um cenário em que a sustentabilidade passou a ser requisito para acessar os principais mercados internacionais da soja, a Mesa Redonda da Soja Responsável (Round Table on Responsible Soy Association/RTRS) vem desempenhando um papel estratégico na transformação da cadeia produtiva. Por meio de um padrão de certificação reconhecido globalmente, a entidade conecta produtores, empresas, instituições financeiras e compradores, promovendo rastreabilidade, transparência e boas práticas que fortalecem a competitividade da soja brasileira no mercado internacional.
Nos últimos anos, a cadeia da soja avançou significativamente em temas como rastreabilidade, monitoramento de riscos socioambientais, combate ao desmatamento e adoção de boas práticas agrícolas. Esse movimento acompanha a crescente demanda de compradores, investidores e consumidores por cadeias produtivas mais transparentes e sustentáveis, tornando a comprovação da origem responsável um fator determinante para a manutenção e expansão dos negócios.
Conforme explica a diretora-executiva da RTRS, Marina Muscolo, produzir de forma responsável deixou de ser apenas uma questão reputacional para se tornar um requisito de mercado. E quando se trata de Brasil, o país ocupa uma posição de destaque nesse processo.
“Os produtores brasileiros vêm investindo em eficiência produtiva, gestão ambiental e transparência, demonstrando que é possível conciliar produtividade, competitividade e responsabilidade socioambiental. Esse amadurecimento consolidou a certificação como uma ferramenta estratégica para fortalecer a posição comercial da soja brasileira diante das novas exigências internacionais. Não por acaso, a RTRS é hoje o maior padrão global de soja responsável e também lidera no Brasil em número de hectares e toneladas certificadas, entre as diversas iniciativas existentes no mercado”, realça.
Impactos na gestão, otimização de recursos e cadeia de valor
Nesse contexto sustentável, a RTRS atua como uma ponte entre a produção responsável e a demanda global. Na prática, seu padrão de certificação oferece uma estrutura reconhecida internacionalmente para comprovar que a soja foi produzida de acordo com critérios ambientais, sociais e econômicos robustos, agregando credibilidade e valor à produção brasileira.
Um diferencial da certificação RTRS, diz Marina, é que foi construída de forma multissetorial, com a participação de representantes de todos os elos da cadeia da soja. Além disso, os critérios passam por revisões periódicas e contam com interpretações nacionais, garantindo que permaneçam alinhados à evolução das práticas agrícolas, às demandas dos mercados e às diferentes realidades dos países produtores.
“O processo impulsiona melhorias na gestão das propriedades, fortalece os controles internos, reduz riscos operacionais e otimiza o uso de recursos, contribuindo para ganhos de eficiência e para uma visão mais estratégica da produção”, evidencia a diretora-executiva.
Somado a isso, os benefícios impactam de forma positiva trabalhadores, comunidades e toda a cadeia de valor, reforçando um modelo de produção mais resiliente e preparado para os desafios futuros.
Além disso, a certificação gera um benefício adicional para os produtores, que recebem créditos equivalentes ao volume de toneladas certificadas. Esses créditos podem ser adquiridos por empresas comprometidas com o apoio à produção e ao abastecimento responsáveis de soja, ou interessadas em equilibrar o impacto do consumo dessas matérias-primas em suas cadeias de valor. Dessa forma, os créditos se consolidam como um importante incentivo econômico para que os produtores mantenham sua certificação e sigam investindo em práticas sustentáveis.
A certificação também amplia o acesso a benefícios financeiros, uma vez que produtores certificados costumam ser priorizados por instituições que consideram a gestão de riscos da atividade na concessão de crédito e outras condições diferenciadas.
Desafios e novos rumos desse cenário no Brasil
Na avaliação de Marina, os produtores e empresas que permanecem fora de iniciativas de certificação e rastreabilidade tendem a enfrentar dificuldades crescentes para atender às exigências internacionais. Regulamentações, compromissos corporativos e critérios de sustentabilidade elevam continuamente os padrões exigidos pelos compradores, tornando a comprovação da origem responsável um diferencial cada vez mais decisivo para a competitividade.
Olhando para os próximos anos, a expectativa da diretora-executiva é de que rastreabilidade, transparência e comprovação independente das práticas socioambientais se consolidem como requisitos básicos para o comércio internacional de soja. “Nesse cenário, a RTRS continuará apoiando produtores, empresas e demais integrantes da cadeia na construção de sistemas mais confiáveis, capazes de atender às demandas dos mercados globais”, salienta.
Para Marina, o Brasil reúne todas as condições para ampliar sua liderança na produção sustentável de soja. Com investimentos contínuos em certificação, rastreabilidade e melhoria das práticas produtivas, o país poderá fortalecer sua posição como fornecedor estratégico de soja produzida de forma responsável, agregando valor ao produto nacional e ampliando sua competitividade nos mercados mais exigentes do mundo.
Sobre a RTRS
Fundada em 2006 em Zurique, na Suíça, a Mesa Global da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) é uma associação internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões competitivos e confiáveis e desenvolve soluções para promover a produção, o comércio e o uso de soja sustentável.
Como uma mesa redonda global multissetorial, a RTRS atua por meio da cooperação entre os diversos atores da cadeia de valor da soja — da produção ao consumo — oferecendo uma plataforma global de diálogo multilateral sobre soja responsável.
Como provedora de soluções, a RTRS desenvolve padrões de certificação para a produção de soja e para a cadeia de custódia, além de ferramentas como a Plataforma Online — que permite o rastreamento e o registro das certificações RTRS, dos volumes de produção e do material certificado — e a Calculadora de Pegada de Soja e Milho, entre outras ferramentas.
Mais informações: https://responsiblesoy.org/
