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Carne de Rondônia pode ganhar valor com origem, rastreabilidade e identidade territorial

Durante seminário sobre pecuária sustentável, diretor executivo da APRON defendeu gestão, produção a pasto e estudo do terroir como caminhos para acessar novos mercados e aumentar a rentabilidade do pecuarista

Por Redação | Domínio Rural

Rondônia já possui escala e capacidade produtiva na pecuária. O próximo passo é transformar essas vantagens em diferenciação, acesso a novos mercados e maior rentabilidade para o produtor rural.

A avaliação foi apresentada pelo diretor executivo da Associação dos Pecuaristas de Rondônia (APRON), Dhiony Costa e Silva, durante o seminário de apresentação dos resultados da fase piloto do Projeto Pecuária Sustentável de Rondônia, realizado em Porto Velho.

Executado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (FAPERON), com apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ) e parceria da APRON, o projeto busca apoiar produtores na adoção de práticas que integrem regularização ambiental e fundiária, rastreabilidade, tecnologia e geração de dados.

Durante sua participação, Dhiony abordou a produção de carne de qualidade e os diferenciais que podem posicionar a pecuária rondoniense diante das novas exigências do mercado.

“O pecuarista precisa saber com clareza o que vai produzir, como vai produzir e para quem vai produzir. Produzir bem continua sendo essencial, mas é necessário conhecer os custos, acompanhar os indicadores e compreender o mercado que se pretende alcançar”, afirmou.

Rastreabilidade como instrumento de gestão

Na avaliação do diretor executivo da APRON, a rastreabilidade não deve ser tratada apenas como uma exigência comercial ou regulatória. Quando integrada à gestão da propriedade, a ferramenta permite acompanhar o desempenho dos animais, organizar informações produtivas e comprovar a origem e a conformidade da produção.

Esses dados podem auxiliar o produtor na tomada de decisões e ampliar sua capacidade de atender compradores que valorizam atributos como qualidade, segurança, responsabilidade socioambiental e bem-estar animal.

“A rastreabilidade precisa gerar informação útil para o pecuarista. Antes de atender ao mercado, ela pode ajudar o produtor a conhecer melhor seu próprio rebanho, identificar resultados e corrigir perdas dentro da propriedade”, destacou Dhiony.

Para ele, a adoção de tecnologias precisa estar ligada ao retorno econômico. O acesso a mercados diferenciados depende não apenas da implementação de novas práticas, mas também da capacidade de demonstrar e comunicar o valor gerado por elas.

Produção a pasto como diferencial

Entre as características que podem fortalecer a identidade da carne de Rondônia está o sistema de produção predominantemente a pasto. Nesse modelo, os animais possuem maior liberdade para expressar seu comportamento natural e são criados em interação com as condições ambientais da propriedade.

Esse atributo pode ser trabalhado como parte de uma estratégia de posicionamento da carne rondoniense, desde que acompanhado por boas práticas agropecuárias, gestão, rastreabilidade e comprovação dos processos produtivos.

“Precisamos olhar além do modelo tradicional e reconhecer o valor do produto que já produzimos. A criação a pasto, associada ao bem-estar animal e à responsabilidade ambiental, pode deixar de ser apenas uma característica da nossa pecuária e passar a ser um diferencial percebido pelo mercado”, explicou.

Terroir da carne e indicação geográfica

Outro caminho apresentado durante o seminário foi o estudo do terroir da carne produzida nas diferentes regiões de Rondônia.

Amplamente associado a produtos como vinho e café, o conceito de terroir considera a influência conjunta das condições ambientais, do território, das práticas produtivas e do conhecimento desenvolvido pelas pessoas de determinada região.

Aplicado à pecuária, esse conceito pode contribuir para identificar diferenças relacionadas ao ambiente, às pastagens, ao manejo, à qualidade e às características sensoriais da carne. Para isso, seriam necessários estudos técnicos e científicos capazes de comprovar esses atributos.

A construção desse conhecimento também poderia subsidiar estratégias como marcas coletivas, protocolos regionais de produção e, futuramente, indicações geográficas.

“Rondônia possui diferentes ambientes e sistemas produtivos. Precisamos investigar se essas características também influenciam a qualidade e o sabor da carne. Assim como o café e o vinho conquistaram valor pela origem, podemos começar a estudar qual é a identidade da carne produzida em nosso território”, disse Dhiony.

Sustentabilidade precisa gerar resultado

A proposta é fazer com que a sustentabilidade também seja compreendida como um componente da eficiência produtiva e da agregação de valor.

Regularidade ambiental e fundiária, bem-estar animal, valorização das pessoas, gestão, tecnologia e rastreabilidade podem reduzir riscos, melhorar o desempenho da propriedade e ampliar as possibilidades comerciais do produtor.

Para Dhiony, o desafio está em conectar esses atributos a uma estratégia de mercado que reconheça o esforço realizado dentro da fazenda.

Sustentabilidade não pode ser apenas uma exigência a ser cumprida. Ela precisa se transformar em eficiência, diferenciação e renda para o produtor. O futuro não está somente em produzir mais, mas em conhecer, comprovar e comunicar melhor o valor daquilo que produzimos”, concluiu.

O seminário também reuniu representantes do setor produtivo, instituições públicas e privadas e parceiros do Projeto Pecuária Sustentável de Rondônia para discutir os resultados da fase piloto e as possibilidades de expansão da iniciativa para outras regiões do estado.

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