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Pecuária de Rondônia precisa transformar escala em valor para ganhar competitividade, aponta APRON

Em palestra na Embrapa Rondônia, diretor executivo Dhiony Costa e Silva defendeu gestão de custos, rastreabilidade, segurança jurídica e novas formas de monetização como pilares para o próximo ciclo do setor

Rondônia já construiu uma das maiores bases pecuárias do país. O desafio da próxima década será transformar essa capacidade produtiva em margem, acesso a mercados e maior poder de negociação para o produtor.

Essa foi a principal mensagem apresentada pelo diretor executivo da Associação dos Pecuaristas de Rondônia (APRON), Dhiony Costa e Silva, durante a palestra “Perspectivas da Pecuária: competitividade e desafios para o futuro”, realizada nesta quinta-feira (10), no auditório da Embrapa Rondônia, em Porto Velho.

A apresentação integrou o Seminário Pecuária de Cria, da Escola da Pecuária Sustentável, e colocou em discussão as transformações que deverão influenciar a atividade até 2030.

A análise partiu de quatro pilares: escala, eficiência, comprovação e mercado.

O futuro da pecuária será decidido por quem consegue produzir mais, provar melhor e negociar com mais força”, afirmou Costa e Silva durante a apresentação.

Rondônia já tem escala

Os números apresentados pela APRON mostram o tamanho da base produtiva estadual. Rondônia registrou 16,3 milhões de bovinos declarados em 2025, distribuídos por aproximadamente 110,5 mil propriedades rurais com rebanho.

No mesmo período, foram abatidos cerca de 3,5 milhões de bovinos, estabelecendo novo recorde, segundo os dados utilizados na apresentação.

Na avaliação da entidade, escala produtiva e condição sanitária colocam Rondônia em posição privilegiada, mas já não são suficientes, isoladamente, para garantir competitividade.

A próxima disputa ocorrerá dentro e fora da porteira.

A pergunta deixa de ser apenas “quanto vale a arroba?”

Um dos pontos centrais da palestra foi a mudança de perspectiva sobre a rentabilidade.

Em vez de acompanhar somente a cotação da arroba, o produtor precisa saber quanto custa produzir cada arroba e qual margem permanece depois de contabilizados reposição, nutrição, sanidade, crédito e demais despesas.

Preço é referência. Custo é decisão”, sintetizou o diretor executivo.

A avaliação ganha importância diante de um cenário de crédito mais caro e valorização da reposição. A leitura apresentada pela APRON é de que o ciclo pecuário entrou em uma fase de transição, na qual a retenção de fêmeas pode reduzir a oferta futura de bezerros e pressionar os preços da reposição.

Nesse ambiente, comprar mais caro sem elevar eficiência, ganho de peso e giro da propriedade pode comprometer a margem.

Produzir já não basta: será preciso provar

Outro ponto destacado foi a crescente exigência por informações sobre aquilo que sai das propriedades.

Sanidade, rastreabilidade, origem, regularidade ambiental e dados confiáveis tendem a deixar de ser apenas obrigações ou diferenciais administrativos para se tornarem ativos comerciais.

A lógica apresentada pela APRON é simples: produção sem dados tende a continuar sendo negociada como commodity; informação organizada pode ampliar acesso a compradores, crédito e mercados mais exigentes.

Por isso, Costa e Silva defendeu uma tríade para a competitividade da pecuária rondoniense: produção, dados e representação.

Na avaliação apresentada, o produtor precisa produzir com eficiência, comprovar aquilo que entrega e estar organizado coletivamente para ampliar sua capacidade de negociação.

Cinco gargalos podem limitar o crescimento

Apesar do potencial, a apresentação identificou desafios que poderão definir a velocidade de crescimento da pecuária estadual nos próximos anos.

Entre eles estão regularização fundiária, regularização ambiental, logística, produtividade da pecuária leiteira e sucessão rural.

A falta de segurança jurídica, por exemplo, pode limitar acesso a crédito e investimentos. Já estradas, fretes e distância dos frigoríficos interferem diretamente no valor que permanece com o produtor depois da venda.

Para a APRON, enfrentar esses problemas exigirá atuação conjunta de produtores, entidades representativas, indústria, instituições financeiras, ciência e poder público.

A próxima fronteira: ganhar dinheiro além da arroba

A apresentação avançou ainda sobre uma questão pouco discutida no cotidiano das propriedades: como criar novas fontes de receita utilizando ativos que a pecuária já possui?

A APRON apresentou uma estratégia dividida em quatro níveis.

No primeiro estão as receitas tradicionais: carne, bezerros, leite, genética, couro e aproveitamento de subprodutos.

O segundo envolve agregar qualidade, com padronização da carne, derivados lácteos com identidade regional e certificações capazes de diferenciar a produção.

No terceiro nível aparecem rastreabilidade, origem comprovada, acesso a mercados diferenciados e possibilidades relacionadas a serviços ambientais e carbono, ainda em estruturação.

O último estágio envolve aquilo que dificilmente pode ser construído individualmente: marca coletiva de origem, escala de comercialização, maior capacidade de negociação, turismo rural e atração de novos investimentos e indústrias para Rondônia.

A síntese apresentada aos produtores foi direta:

“Quem só vende a arroba compete por preço. Quem entrega qualidade, prova e origem negocia na frente.”

Agenda até 2030

A partir desse diagnóstico, a APRON apresentou cinco frentes consideradas estratégicas para o desenvolvimento da atividade até 2030: comprovar origem, elevar eficiência produtiva, organizar a comercialização, avançar na segurança jurídica e formar novas lideranças.

Nesse processo, a entidade pretende atuar como elo entre as demandas que surgem nas propriedades e as discussões realizadas com governos, mercado, indústria e demais instituições.

Para Costa e Silva, o perfil do pecuarista competitivo também deverá mudar.

O produtor que vai liderar o futuro não será apenas o que tem mais gado. Será o que tem mais gestão, mais prova e mais capacidade de se posicionar”, afirmou.

A mensagem encerrou uma apresentação construída sobre um contraste: Rondônia já conquistou escala pecuária. A próxima etapa será fazer com que cada vez mais dessa escala seja convertida em margem, segurança e valor para quem está dentro da porteira.

📊 ACESSE A APRESENTAÇÃO COMPLETA
Confira a apresentação “Perspectivas da Pecuária: competitividade e desafios para o futuro”, apresentada por Dhiony Costa e Silva, diretor executivo da APRON, durante o Seminário Pecuária de Cria, na Embrapa Rondônia.

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