Setor de proteína animal defende integração para crescer em escala e mercado
No SIAVS 2026, lideranças destacaram a necessidade de articulação entre as cadeias para fortalecer a competitividade e ampliar a presença brasileira no abastecimento global de alimentos
A competitividade, a sustentabilidade e a capacidade de expansão da produção brasileira de proteínas animais foram os principais temas debatidos no painel “Cenário da Proteína Animal na Visão Setorial”, que abriu a programação do segundo dia (5/8) do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, evento que segue até quinta-feira (6/8), no Distrito Anhembi em São Paulo (SP).
Durante a mesa-redonda, representantes das cadeias produtivas de aves e suínos, pecuária de corte, leite e pescados destacaram o papel estratégico do Brasil no abastecimento global de alimentos e a importância de fortalecer a imagem do setor nos mercados internacionais.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, ressaltou no encontro a necessidade de investimentos em comunicação para valorizar os diferenciais da produção brasileira. De acordo com ele, o país possui mais de 1,1 milhão de quilômetros quadrados de áreas preservadas em propriedades privadas por meio da reserva legal, além de milhões de hectares de pastagens passíveis de conversão para sistemas mais produtivos, sem necessidade de abertura de novas áreas.
“O Brasil tem clima favorável, produtores altamente capacitados e vocação para alimentar o mundo. Precisamos mostrar essa realidade, reforçando nossa imagem como fornecedor de proteína produzida com biosseguridade, sustentabilidade, segurança alimentar e responsabilidade ambiental”, destacou Santin.
Integração e competitividade
O gerente de Agronegócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, que também participou da mesa-redonda, afirmou que, em um cenário global marcado por instabilidade e fragmentação, o Brasil se diferencia pela organização de sua cadeia produtiva, competitividade e confiabilidade sanitária. Para Müller, a credibilidade construída pelo setor ao longo dos anos, com a atuação conjunta entre entidades, produtores e governo, levou o país a protagonizar o ranking mundial de proteínas animais.
“O Brasil demonstra capacidade de atender o mercado interno, ampliar o consumo doméstico e, ao mesmo tempo, bater recordes de exportação. Isso é resultado de organização, tecnologia e da confiança construída por toda a cadeia produtiva”, concluiu.
Pescados ampliam espaço
Representando o setor de pescados no painel, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (ABIPESCA), Eduardo Lobo, enfatizou a importância da troca de informações entre as cadeias produtivas para impulsionar o crescimento do setor. Segundo ele, a proteína vive um momento de expansão e mantém no radar parcerias internacionais.
Para Lobo, o país pode ampliar significativamente sua produção, tanto para atender o mercado doméstico quanto para elevar a exportação. Em sua fala ele também lembrou que o Brasil exporta atualmente cerca de US$ 400 milhões em pescados, mas possui potencial para avançar muito mais. Neste momento, estão no radar da atividade parcerias com o mercado europeu. “Estamos confiantes. Nosso otimismo e resiliência são altos”, enfatizou.
Leite busca mais competitividade
Ao trazer para o debate os principais movimentos do setor lácteo, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Guilherme Portela, compartilhou os caminhos para o Brasil alcançar maior competitividade internacional. Segundo ele, o país ainda importa mais produtos lácteos do que exporta, embora já existam avanços importantes em produtividade e acesso a mercados externos, inclusive em produtos de maior valor agregado.
Como principais frentes para expansão da atividade, Portela apontou a integração entre os elos da cadeia leiteira, a estratégia voltada ao fortalecimento da competitividade, a abertura de novos mercados e a valorização do produtor rural, defendendo maior aproximação entre o setor lácteo e a ABPA. “Faltava uma liderança direcional para apontar caminhos de como podemos atingir níveis de competitividade e novos mercados de exportação para fortalecer a cadeia. Essa relação fortalecerá a atuação conjunta no setor”, afirmou.
Pecuária mantém protagonismo
Sobre os principais movimentos da pecuária de corte, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, trouxe uma abordagem econômica da cadeia. No último ano, a atividade movimentou cerca de US$ 20 bilhões em exportações e aproximadamente US$ 80 bilhões em vendas totais.
Apesar dos números positivos, o setor enfrenta desafios relacionados ao cenário geopolítico, a conflitos internacionais e a barreiras comerciais que, muitas vezes, assumem formato de exigências sanitárias. Ainda assim, Perosa ressaltou que a pecuária brasileira mantém elevados índices de produtividade e continua abastecendo simultaneamente os mercados interno e externo.
“Dentro desse recorte, é importante pontuar que as exportações não competem com o abastecimento doméstico, mas funcionam como um dos pilares que sustentam toda a cadeia produtiva”, observou. Segundo ele, a parceria entre Abiec e ApexBrasil, construída ao longo de mais de duas décadas, foi decisiva para a abertura e consolidação de mercados em diferentes continentes.
Mudança no consumo redesenha estratégia da proteína animal brasileira
O Brasil consolidou sua posição como um dos principais fornecedores globais de proteína animal, mas manter essa liderança exigirá ganhos contínuos de eficiência, inovação, adaptação ao novo perfil do consumidor e fortalecimento da segurança sanitária. Essa foi a principal mensagem do painel “Futuro das Proteínas”, realizado na manhã do segundo dia do SIAVS e comandado pelas lideranças das agroindústrias.
O palco recebeu os CEOS João Campos (Seara), Miguel Gularte (MBRF) e o diretor-presidente Neivor Canton (Aurora Coop) para debater as mudanças do mercado diante das transformações geopolíticas, comportamento do consumidor e novas exigências do comércio internacional.
O Embaixador do Agro
Durante o SIAVS, o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra lançou a sua biografia “O Embaixador do Agro”. Publicado pela Critério Editorial, o livro reúne memórias, bastidores e episódios que marcaram sua atuação na política e na representação institucional do agronegócio brasileiro. O lançamento foi realizado no estande das Agroindústrias de Aves, com sessão de autógrafos.
A obra acompanha a trajetória de Turra desde a infância na zona rural de Marau, no Rio Grande do Sul, passando pela atuação como prefeito e vice-prefeito do município, até sua chegada aos principais cargos da administração pública e das entidades representativas do setor produtivo. Ao longo do relato, o livro destaca o papel do diálogo, da articulação política e da construção de consensos em diferentes momentos da história do agronegócio brasileiro.
Sobre o SIAVS
O SIAVS (Salão Internacional de Proteína Animal) é o principal encontro das cadeias produtivas no Brasil, promovido pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). O evento reúne representantes da avicultura, suinocultura, bovinocultura de corte e leite, piscicultura e produção de ovos, conectando especialistas, lideranças empresariais, indústrias, fornecedores, pesquisadores e compradores nacionais e internacionais em um ambiente voltado à geração de negócios, inovação, intercâmbio de conhecimento e fortalecimento do agronegócio brasileiro no mercado global.
SERVIÇO
SIAVS (Salão Internacional de Proteína Animal)
DATA: 4 a 6 de agosto
LOCAL: Distrito Anhembi (São Paulo/SP)
HORÁRIO: 10 às 19h (dia 4 e 5) e 10h às 17h (dia 6)
SITE: https://siavs.com.br/
